sábado, 5 de maio de 2012

O Estranho Caso do Homem da Mão Peluda



Fim de expediente, aquela sensação de dever cumprido que toma conta de todos os que exercem uma função na sociedade.
No setor ainda, antes de irem embora, estavam Magrinho, que era o encarregado, Chunck e seu fiel parceiro Octo, e mais afastado e como sempre falando bobeiras inimagináveis estavam Nervos e Lexman.
Os dois últimos se aproximam do restante do grupo, estavam falando das coisas absurdas que aconteciam no outro emprego deles, sim, esses dois malucos já haviam trabalhado juntos em outra empresa.
O papo era sobre um tal de Zé Pedreiro, que dizia que uma vez fazia a fachada de um prédio e caiu do terceiro andar, ia de cabeça ao chão, quando conseguiu fazer um movimento e girar seu corpo e caiu feito gato, levantou e saiu andando.

“ Pô Lexman, esse Zé Pedreiro mentia muito, né?” – disse Nervos.

“Hahahaha... e o pior é que o homem nem vermelho ficava, falava sério, com convicção.” – disse Lexman.

Para não ficar para trás no assunto, Magrinho, com todos os seus trinta e cinco anos de trabalho, tinha muitas histórias a contar, e resolveu entrar no assunto da maneira mais arrogante possível:

‘Eu não admito que me chamem de mentiroso, pode ser quem for, uma vez meu filho, o Briuga me chamou desse nome horrível e tomou um senhor tapa na cara, no meio da rua, de frente pra todos os seus amigos, eu não admito mesmo.’

“Nossa, seu filho deve ter ficado desnorteado por um tempo, né? Mas porque ele te chamou de mentiroso?” – perguntou Nervos, fazendo cara de interessado e indignado por ter que ouvir seu chefe dizer que o próprio filho o chamou de mentiroso.

Percebendo que a pergunta de séria não tinha nada, Lexman, que como Nervos era um mestre na arte da ironia e sarcasmo dentro de um ambiente de trabalho, já emendou:

“Magrinho, mas pra ele dizer isso você deve ter dito algo muito absurdo, ou, que ele como criança, não deve ter entendido, não é?”

Chunck e Octo como que percebendo que os dois estavam tirando uma com o chefe, riam disfarçadamente.
E Magrinho se pôs a falar:

‘Não foi nada absurdo, foi uma coisa que aconteceu na Átrasdocopo... peço licença há quem estiver lendo, para explicar que todas, ou pelo menos nove entre dez histórias que Magrinho conta aconteceram na Átrasdocopo, empresa onde ele trabalhou por anos e pelo visto, não aprendeu quase nada, mas, voltando a fala do intrépido comandante... um acidente de trabalho com um rapaz que trabalhava lá.”

“Ah, conta aí Magrinho, não que eu ache graça em acidentes, mas é sempre bom ouvir relatos, assim ficamos mais espertos no dia a dia, né?” – uma cara de pau sem tamanho deste tal de Nervos.

“É conta aí, ninguém mesmo está com pressa pra ir casa e outra, todo mundo aqui quer ouvir essa passagem de sua vida, não é Chunck? Não é Octo?”- e Lexman coloca mais lenha na fogueira.

Os outros dois apenas acenam com a cabeça que sim e o chefe, não resistindo aos descarados pedidos começou:

‘Então, foi assim, lá trabalhava uma cara chamado Alfredo, era um sujeito bacana e tudo, mexia com produtos químicos.
Um dia, ninguém sabe ao certo o que ele fez, dizem que estava mexendo com um tipo resina, não sei o que era, e não usava luvas, e acabou que esta resina misturou com um outro produto que ao entrar em contato com sua pele acabou por queima-la, na verdade, foi a palma da mão, das duas.’

“Que cara doente!”- espantou-se Chunck.

“Fica quieto Chunck, deixe o bom homem continuar.”- e Lexman passou novamente a palavra para Magrinho.

‘Bom, ele foi socorrido e tal, estava chorando tamanha era a dor. No hospital, ele teve de passar por uma cirurgia e colocar enxerto nas mãos. Tiraram pele das nádegas.’

Nesse momento, Nervos deixou escapar um riso mais alto, mas, percebendo a gafe rapidamente se calou.

‘O Alfredo ficou três meses afastado, se recuperando e depois deste período, já recuperado pode voltar ao trabalho. As primeiras semanas foram normais, até que um certo dia ele foi trabalhar de luvas, o pessoal achou estranho, pois era verão.
Mas ninguém disse nada, passou todo o horário de trabalho e na hora de ir embora, estavam uns dez caras juntos, igual a nós aqui, e um deles perguntou o porque das luvas, já que fazia um calor infernal. Alfedo deu um sorriso e disse que estava querendo lançar moda, o sorriso foi irônico, pois logo em seguida mandou o cara para a mulher que lhe havia dado a luz.
Um outro sem vergonha, percebendo a irritação foi de surpresa e puxou as luvas do homem, e, na verdade, quem foi pego de surpresa mesmo foram os caras lá reunidos, havia  crescido pelo nas palmas da mão do Alfredo.’

Nervos não resistiu e caiu na gargalhada, e os outros foram na mesma onda, Magrinho continuava sério e prosseguiu:

‘Vocês tinham que ver, o Alfredo ficou roxo de tanta raiva e vergonha e começou a discutir com os caras. Um perguntou se durante os três meses afastados ele havia se masturbado muito, o que o irritou mais ainda e o fez pedir respeito, mas não teve jeito, deste dia em diante ele ficou conhecido como Zé Bronha. Depois ele fez umas outras cirurgias e solucionou o problema, mas o apelido ficou até hoje’

“O Magrinho, isso é verdade mesmo? –perguntou Octo enquanto o outros riam e Nervos, a beira de um enfarte teve de ir tomar uma água.

“Desculpa cara, mas, é compreensível seu filho te chamar de mentiroso. Puta mentira da porra, hahahahahaha...- tirou sarro Lexman.

Nervos não parava de rir, rir muito alto, Chunck, Lexman e Octo também tiravam sarro e Magrinho controlou-se até onde pode, mas, não foi por muito tempo:

‘Seus merdas, vocês são como meu filho, todos uns ignorantes. Eu não sou mentiroso, porra, EU NÂO SOU MENTIROSO, EU NÂO MINTO, SEUS... SEUS... SEUS PALHAÇOS...’



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